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Imunoterapia em crianças: a partir de que idade?

Imunoterapia

A imunoterapia sublingual mudou bastante o tratamento da rinite alérgica nos últimos anos. Mas ainda gera muita dúvida — especialmente quando o paciente é criança. Vou responder as perguntas mais comuns das mães.

A criança pode fazer imunoterapia?

Sim. A imunoterapia sublingual é segura e eficaz em crianças. A literatura científica e os guidelines internacionais (WAO, EAACI) já consolidaram seu uso em pediatria.

A partir de que idade?

A indicação mais aceita é a partir dos 5 anos, em casos selecionados. Cada caso é avaliado individualmente — depende do quadro clínico, da gravidade dos sintomas, da motivação da família.

Antes dessa idade, em geral preferimos tratamento clínico conservador (controle ambiental, antialérgicos quando necessário, lavagem nasal).

É a mesma da injeção?

Não. Existem duas formas de imunoterapia:

  • Subcutânea (SCIT) — a injeção, feita no consultório periodicamente
  • Sublingual (SLIT) — gotas ou comprimidos colocados embaixo da língua, feitos em casa

Pra criança, em geral preferimos a sublingual. Sem agulha, sem precisar vir ao consultório toda semana, melhor aderência.

Como funciona na prática

  1. Avaliação inicial — exame completo, conversa sobre sintomas
  2. Teste alergológico pra confirmar o alérgeno (ácaro, geralmente)
  3. Indicação individualizada — nem toda criança com rinite é candidata; avalio caso a caso
  4. Início do tratamento em casa — pais aplicam debaixo da língua diariamente
  5. Retornos a cada 3-6 meses pra avaliar evolução

Quanto tempo dura

3 a 5 anos. Pode parecer longo, mas:

  • A melhora começa nos primeiros meses
  • O efeito persiste depois que o tratamento termina
  • É feito em casa, sem comprometer rotina

É seguro?

Sim. As reações adversas mais comuns são leves e locais — coceira ou formigamento na boca nas primeiras semanas. Reações sistêmicas são raras.

Em comparação com o tratamento contínuo com antialérgicos, a imunoterapia tem perfil de segurança favorável a longo prazo.

E se já está tomando antialérgico?

Pode continuar — não há conflito. O antialérgico controla o sintoma agudo. A imunoterapia trata a causa. Conforme a imunoterapia faz efeito, a necessidade do antialérgico tende a diminuir.

Quem NÃO é candidato

Casos específicos onde a imunoterapia não é primeira opção:

  • Asma grave não controlada
  • Algumas condições imunológicas
  • Famílias que não conseguem garantir o uso diário regular
  • Crianças muito pequenas (<5 anos em geral)

Vale a pena pensar nisso

Se o seu filho:

  • Tem rinite alérgica diagnosticada
  • Sintomas frequentes que afetam o sono ou a escola
  • Toma antialérgico há tempos sem resolver
  • Tem asma alérgica associada

Vale uma avaliação. Em muitos casos a imunoterapia muda completamente a vida da criança.

[Ver detalhes da imunoterapia sublingual](/imunoterapia-rinite-alergica)

Dra. Ane Trento Burigo Pavei

Otorrinolaringologista · CRM-SC 19940 · RQE 17211